LOGÍSTICA REVERSA DE RESÍDUOS DE MEDICAMENTOS DOMÉSTICOS: UM ESTUDO COM CONSUMIDORES DE ANÁPOLIS - GOIÁS

  • Simone Maria Moura Mesquita Maria Moura Mesquita IFG - Câmpus Anápolis
  • Amarildo Benicio da Cunha Benício Cunha IFG - Câmpus Anápolis

Resumo

É habitual a população descartar de forma incorreta resíduos de medicamentos em lixos comuns, em pias ou em vasos sanitários por estarem com o prazo de validade expirado ou por não terem sido utilizados na sua totalidade por vários motivos como alergias, quebras, efeitos ineficazes, sobras de dosagem.


Pesquisas no setor internacional têm apontado que o descarte incorreto de medicamentos, realizado pelos consumidores em geral, pode trazer efeitos danosos ao meio ambiente (contaminação de água, solo, dentre outros) e à saúde das pessoas (ALVARENGA, 2011). Dessa forma, o descarte adequado dos medicamentos vencidos, em desuso ou impróprios para o consumo é fundamental para a manutenção do meio ambiente, saúde humana e animal. Nesse sentido, é necessário que os consumidores adotem comportamentos pró-ambientais. Estes, conforme Corral-Verdugo (2000, p. 471) designa “o conjunto de ações dirigidas, deliberadas e efetivas que respondem a requerimentos sociais e individuais e que resultam na proteção do meio”.  Ribeiro, Carvalho e Oliveira (2004, p. 12), dizem que o comportamento pró-ambiental envolve “comportamentos considerados responsáveis para a conservação dos recursos naturais e para a manutenção da vida humana”.


Diante deste contexto, este estudo buscou respostas para a seguinte pergunta problema: como os consumidores descartam medicamentos de uso humano vencidos ou em desuso, provenientes de uso domiciliar?


O objetivo geral desta pesquisa foi analisar como os consumidores descartam os resíduos de provenientes de uso domiciliar. Os objetivos específicos foram: identificar os diversos tipos de descarte de resíduos de medicamentos realizados pelos consumidores; avaliar o conhecimento dos consumidores em relação às consequências do descarte inadequado dos medicamentos.


O interesse em estudar a temática em questão foi motivado essencialmente pela importância que o consumidor possui no destino adequado dos resíduos de medicamentos. E ainda, pela relevância e atualidade do tema. Somando-se a isto a baixa disponibilidade de estudos envolvendo o consumidor e seu comportamento de descarte correto de resíduos de medicamentos. Então, pretende-se trazer informações atualizadas que possam subsidiar discussões e ajudar a desenvolver soluções, para o descarte correto de resíduos de medicamentos.


Este estudo se insere na abordagem quantitativa, modalidade descritiva, pesquisa survey. Utilizou-se para a coleta de dados questionário padronizado composto por perguntas abertas e fechadas. O público alvo da pesquisa foram 110 alunos dos cursos superiores noturnos (licenciatura em Química, Ciências Sociais, Tecnologia em Logística) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás – Campus Anápolis. Os dados coletados foram tratados com auxílio do Microsoft Excel e analisados com base em estudos empíricos e teorias relacionadas ao tema.


 


Resultados e Discussão


Os participantes da pesquisa, todos eles, já fizeram uso de algum medicamento no decorrer de sua vida e por motivos variados, dentre eles destacam: a presença de dores (29%), de estados grupais (23%), de infecções (17%), de ansiedade (8%).  Os lugares os quais fizeram uso de medicamentos foram em casa (38%),  clínicas e ambulatorios (23%),  e hospital (19%).


Um percentual relevante (36%) de participantes que compraram medicamento por algum motivo, não os ingeriu todo, gerando portanto resíduos. Um dado preocupante é que 46% dos pesquisados descartam os resíduos de medicamentos em lixo comum, 19% depositam em lote baldio, 13% levam para a farmácia, 11% jogam na pia, 6% jogam no vaso sanitário. A maioria (73%) considera esta forma de descarte inadequada porque acha que essa ação pode contaminar o meio ambiente, o lençol freático, provocar doenças. Já os que consideram esta forma de descarte correta (27%), afirmam não ter conhecimentos que este tipo de atitude contamina o meio ambiente. Os medicamentos vencidos também são jogados no lixo comum por 55% dos participantes.


Quase todos os participantes da pesquisa (95%) informaram que não entregaria os medicamentos vencidos em um posto de coleta, já 5% deles disseram que entregaria.  Os locais sugeridos pelos participantes como local de mais fácil acesso seria farmácia (52%), drogaria (35%), supermercado (7%), outros lugares como postos de saúde (7%).


Os participantes, em sua maioria (55%) relataram que a grande dificuldade para fazer o descarte de forma adequada é a falta de tempo, outros (38%) disseram que o problema é a distância da residência do local adequado para o descarte. Quase todos os participantes (82%) sabem que o descarte incorreto de sobras de medicamentos vencidos contamina o meio ambiente e causa doenças, já 18% dos entrevistados desconhecem as consequências do descarte incorreto.


Pode-se dizer que as formas de descarte identificadas neste estudo não são adequadas para o meio ambiente, saúde das pessoas, animais e plantas. A solução desta problemática depende em partes do comportamento pro ambiental dos consumidores. Estes que integram a cadeia farmacêutica são agentes essenciais para a instituição da logística reversa de medicamentos que envolve ações, procedimentos e meios destinados para coleta e destinação final ambientalmente adequada dos medicamentos. Explica Kabir (2013), que os medicamentos não são como outros produtos, que quando são recolhidos ou devolvidos, podem ser reparados, revendidos ou doados, visto que estes precisam ser destruídos e descartados devidamente.


Para viabilizar a logística reversa de medicamentos será necessário investir em informações, locais adequados para o descarte e em sensibilização dos consumidores.


 


Referências


ALVARENGA, L. S. V.; NICOLETTI, M. A. Descarte doméstico de medicamentos e algumas considerações sobre o impacto ambiental decorrente. Revista Saúde-UNG-Ser, v. 4, n. 3, p. 34-39, 2011.


CORRAL-VERDUGO, V. La definición del comportamiento pro-ambiental. Rev.  La Psicologia Social en México, v. 8, p. 466-467, 2000.


KABIR, M. I., Reverse logistics in the pharmaceutical industry. International journal of supply chain management. 2013.


RIBEIRO, M. J. F. X.; CARVALHO, A. B. G. C.; OLIVEIRA, A. C. B. O estudo do comportamento pró-ambiental em uma perspectiva behaviorista. Revista Ciências Humanas, Taubaté, v. 10, n. 22, p. 177-182, jul./dez. 2004.

Publicado
2019-12-04
Como Citar
MESQUITA, Simone Maria Moura Mesquita Maria Moura; CUNHA, Amarildo Benicio da Cunha Benício. LOGÍSTICA REVERSA DE RESÍDUOS DE MEDICAMENTOS DOMÉSTICOS: UM ESTUDO COM CONSUMIDORES DE ANÁPOLIS - GOIÁS. SECITEC - IFG - ANÁPOLIS, [S.l.], dez. 2019. Disponível em: <https://computacaoifg.com.br/gcisub/index.php/secitecana/article/view/92>. Acesso em: 27 mar. 2026.